O pensamento cristão já nasceu perfeito, porque foi projetado por Deus como expressão da verdade. Tão perfeito que, após o ponto final do último livro da Bíblia, o Apocalipse, nada mais há que acrescentar de essencial.

Perfeito não significa, necessariamente, estático: esse pensamento cresceu muito, nos últimos dois mil anos, desenvolvido pelos melhores homens da Igreja, pessoas que humildemente acreditavam que, sem a graça divina, nada se faz de perdurável neste mundo. Um crescimento, um desenvolvimento exigidos por aquelas próprias revelações, perfeitas e completas, recebidas pelos Apóstolos nas primeiras décadas da Igreja, sempre organicamente limitados pelas balizas impostas pelas revelações divinas.

Tão perfeito é o pensamento cristão, que não aceita dialética no sentido hegeliano da palavra: toda antítese mal-intencionada que se aproxima, desaparece como um cisco, imediatamente, na combustão da doutrina católica.

Nos últimos dois milênios, nem faltaram os Judas que tentassem empanar o seu brilho — sempre os houve na Igreja romana —, mas mesmo agora, neste momento mais pagão que cristão da civilização ocidental, ela ainda insiste em projetar seus lumes na face cansada do mundo, como a estrela-guia que sempre foi.

O brilho já não é tão intenso como o foi na época inaugural descrita pelos Atos dos Apóstolos, ou no tempo dos mártires, ou nos últimos séculos da Idade Média, pois a névoa do mundo é espessa. Uma outra luz candidata-se a substituí-la, luz megalomaníaca de lamparina vagabunda, acesa com os óleos poluentes do Iluminismo (que é luz enganadora: mais oculta a verdade do que revela).

Algumas vezes, achamos que a luz que vem de Roma vai apagar-se, que não resistirá aos tornados que sopram da dita “nova ordem mundial”, que se luteranizará, esquecidos de que a Igreja é uma estrela com luz própria e inextinguível, que vai brilhar para sempre, pois já estava acesa antes deste universo criado e de qualquer outro mundo possível.