Não faltam motivos de preocupação, na Igreja e no mundo, mas esta semana quero concentrar-me em duas coisas que têm corrido bem e uma terceira que a Igreja fez como devia, mesmo que esteja a criar-lhe problemas.

PRIMEIRA NOTÍCIA. A primeira foi a derrota no parlamento italiano da lei que obrigaria, entre outras coisas, à doutrinação da ideologia do gênero nas escolas e consideraria criminosos aqueles que se lhe opunham. A chamada “Lei Zan”, que leva o nome do seu autor, foi derrotada no Senado italiano. Deve-se recordar que o Vaticano fez um grande esforço para se opor a esta lei, advertindo mesmo que a sua aprovação violaria a Concordata entre a Itália e a Santa Sé. Embora tudo parecesse indicar que a lei seria aprovada, quando a votação foi realizada anonimamente, não obteve os votos necessários.

SEGUNDA NOTÍCIA. A segunda boa notícia vem da Argentina. Há alguns meses, na diocese de Venado Tuerto, a Caritas, supostamente com a permissão do bispo, publicou uma oração blasfema comparando a Santíssima Virgem Maria com a Pachamama. Perante os protestos, só conseguiam pensar em dizer que o tinham feito para estar em sintonia com o Papa Francisco, atribuindo assim ao Pontífice a autoria indireta do crime. Escrevi contra esta abominação na época e ganhei mais do que um insulto por ela. Bem, esta semana, o bispo dessa diocese teve a sua demissão aceita apenas cinco dias depois de a ter apresentado. Gostaria de o ter visto afastado imediatamente do cargo, mas já é alguma coisa que não lhe tenha sido permitido continuar no cargo, uma vez atingida a idade do afastamento. Se Deus quiser, deve servir de lição para os bajuladores, que acabam por fazer mal àquele que dizem honrar. Deve também servir como um aviso de que a Virgem não deve ser tocada, pois há muitos de nós que estão dispostos a dar as suas vidas, se necessário, para a defender. Esta Mãe tem filhos e aqueles que tão facilmente a insultam devem saber disso.

TERCEIRA NOTÍCIA. A terceira notícia vem da Bolívia. Uma menina de onze anos está grávida como resultado de uma violação por um familiar. Os pais da adolescente e ela própria decidiram não fazer o aborto, apesar da enorme pressão para o fazer. A Igreja apoia a família e argumenta que ninguém pode ser obrigado a fazer um aborto, como pretende o governo. Os ataques à Igreja são ferozes e até o ombudsman anunciou um processo judicial, simplesmente devido ao apoio que a Igreja dá à menina e aos seus pais, para que ela possa levar a gravidez até ao fim, como ela deseja. É tudo absurdo: a mocinha violada quer ter o seu filho, o governo quer que ela o mate, e a Igreja está sendo responsabilizada por dar à vítima de violação o apoio de que ela necessita. Os ataques e insultos não são dirigidos contra o violador, mas contra a organização que quer ajudar a jovem violada (e que até se ofereceu para cuidar da criança, que é tão inocente como a mãe). O ódio dos abortistas pela vida, e por aqueles que a defendem, atinge a paroxismo e é demonstrado num caso como este. A Igreja na Bolívia está indo muito bem e merece todo o nosso apoio. Rezemos por eles, especialmente pela menina e pelo seu filho.

UMA ESPERANÇA. E se vamos pedir orações, gostaria de me fazer eco do desejo dos católicos cubanos para o regresso da liberdade ao seu povo. A presença de um grande grupo que se manifestou próximo do Vaticano (tão próximo quanto lhes foi permitido), serviu para que o mundo soubesse que a sangrenta ditadura cubana ainda existe e que há muitos que, movidos pela fé, estão lutando contra ela. Cuba tem católicos que não desistem, e a Nicarágua e a Venezuela têm bispos que não estão dispostos a permanecer em silêncio diante da ditadura. Ambos são uma fonte de orgulho para a Igreja. Rezemos por eles.