Um governo mundial — por ser Indiferente à “lógica” do Logos divino, revelada sobrenaturalmente ou pelas leis inscritas por Deus na própria estrutura do mundo real — é um projeto utópico.

Utopia é, por definição, algo irrealizável, e os homens que estão por trás desse projeto — filhos espúrios do Ocidente — sabem disto muito bem, pois são espertos como serpentes. Compreendem que não podem dominar todos os povos: o que pretendem é unificar politicamente o mundo ocidental, que se transformaria numa grande frente única contra os atuais inimigos: Rússia, China e os povos muçulmanos.

A expectativa ocidental era a de que, com a queda do comunismo, a Rússia se ocidentalizasse de vez; e isto não ocorreu. O mesmo sonhava o Ocidente, quando incrementou o capitalismo na China, acreditando que a economia de mercado derrotasse para sempre o estatismo totalitário. E ainda espera, ilusoriamente, ocidentalizar os muçulmanos, acolhendo-os em massa na Europa.

A verdade é que continuamos na mesma confusão de sempre. Somos descendentes dos arquitetos que tentaram construir a Torre de Babel. Só Deus poderia refazer a unidade anterior à divisão babélica do mundo, jamais a ONU, jamais um governo mundial.

Deus tem feito a Sua parte: fundou há dois mil anos a Igreja Católica (o adjetivo “católico”, em grego, significa universal), que sempre teve por propósito refazer aquela unidade perdida em Babel. “Que todos sejam um”, disse o Cristo (São João, 17, 21). A língua latina foi, durante mais de um milênio, uma arma importante contra a divisão babélica que dilacerou a humanidade; foi ela que unificou a Europa, criou uma civilização, uma arte, uma literatura.

A Igreja, de certa forma, presidia um governo espiritual de ambições planetárias. Com uma diferença, em relação ao pretenso governo mundial de hoje: se nunca deixou de ter os pés bem fixos no chão deste mundo, apontava permanentemente para o alto e a eternidade. Por isso, é preciso destrui-la, a começar de dentro, com os inimigos astutamente infiltrados na própria hierarquia eclesial.

Conseguirão? Mesmo que o cristianismo se reduzisse a um pequeno rebanho (“…quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?”), Jesus garantiu que satanás não prevaleceria sobre sua Igreja; e Ele estaria com os seus todos os dias, até o fim dos tempos.