Na tarde do último sábado, 11 de março, realizou-se na Villa San Fermo de Lonigo (Vicenza) o primeiro dos três encontros sobre atualidade política organizados por nosso Observatório Van Thuan. O tema geral dos três encontros é “As narrativas sociais impostas pelo poder” e o título deste primeiro foi: “O totalitarismo, mesmo o democrático, como resultado fatal do pensamento moderno”.

Desta vez foi a minha vez de fazer o relato introdutório. Entre as coisas que foram ditas, gostaria de retomar brevemente uma ideia que pode ser considerada a principal: o totalitarismo é filho das concepções filosóficas da modernidade e, para sermos rigorosos, é sua consequência necessária.

Já foi muito dito que o totalitarismo é seja apenas um fenômeno político, mas não se diz que é um filho direto do modo moderno de pensar, e isto porque, geralmente, se pensa que, na origem do pensamento moderno, esteja a liberdade, em geral compreendida como o oposto do totalitarismo.

Na realidade, é precisamente a concepção moderna de liberdade que produz, como consequência necessária, o despotismo totalitário. A liberdade originária, onipotente e soberana, é, portanto, também totalitária.

O pensamento moderno, desde o seu primeiro passo, é a pretensão de impor à realidade as formas da consciência. A realidade é negada na tentativa de reconstruí-la. João Paulo II diz, na Centesimus annus, que a origem do totalitarismo é a negação do sentido objetivo da verdade. O pensamento moderno nega a possibilidade de conhecer a verdade, ou seja, a realidade em seu sentido objetivo, acreditando que todo conhecimento é construído por nosso intelecto e suas formas.

É por isto que o pensamento moderno substitui a realidade pelo artifício. É, também, uma grande ideologia: sobrepõe à realidade esquemas de pensamento artificiais e parciais, que pretendem aplicar-se ao todo. A filosofia moderna enjaula o objetivo no subjetivo, o ser no pensar. Parte de uma consciência pura, e totalmente livre, que não tem nada atrás de si que a limite, e que, por isto, pode criar a si mesma e ao mundo como bem lhe apetecer. Trata-se de uma consciência soberana e, portanto, totalitária.

Acompanhando a configuração do pensamento moderno, temos presenciado, na história, vários tipos de totalitarismo, não apenas autocráticos, mas também democráticos. A ideia de uma consciência soberana, que pode plasmar a realidade, é transferida para o “povo” que, portanto, se torna o Leviatã. Os despotismos são totalitários, mas também o são as democracias liberais que se inspiram nas categorias da modernidade.

Hoje, a cultura das democracias liberais nega o direito natural e as leis naturais: a ordem natural e finalística das coisas é substituída pela artificial, estabelecida pelo contrato entre as consciências soberanas. Ideologia de gênero e transumanismo são expressões da substituição da natureza por artifícios próprios do totalitarismo cultural dos nossos dias.

As narrativas de poder são artificiais e negadoras da realidade. Foi o que ocorreu com a assim chamada “pandemia da Covid” e está acontecendo, também, com a guerra na Ucrânia.

https://vanthuanobservatory.com/2023/03/13/le-origini-filosofiche-del-totalitarismo/

Publicidade