[O católico James MacMillan é um compositor e maestro escocês contemporâneo, nascido em 1959. Foi Compositor-Regente da Orquestra Filarmônica da BBC de 2000-2009 e da Orquestra de Câmara da Rádio Holandesa de 2009-2013. Tem composto música sinfônica e música sacra].

Um dos grupos encantados com o pontificado de Bento XVI foi o dos músicos. Ele era um dos nossos. Tinha um piano de cauda em seu apartamento, no Vaticano, e tocava (especialmente seu amado Mozart) regularmente.

Seu amor pela música não se limitava à música litúrgica. Ele também foi capaz de ver a dimensão numinosa da música em suas formas profanas. Quando, dois anos após sua renúncia, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Pontifícia Universidade João Paulo II, em Cracóvia, decidiu que seu discurso seria sobre música.

Estas palavras me chamam a atenção: “Em nenhum outro âmbito cultural existe música de igual grandeza do que aquela nascida no âmbito da fé cristã: de Palestrina a Bach, passando por Handel, até Mozart, Beethoven e Bruckner. A música ocidental é algo único, que não possui paralelo em outras culturas. É vergonhoso que alguns professores de música, em nossas universidades mais prestigiadas, hesitam em dizer isto hoje em dia.

Bento acreditava que as grandes obras dos compositores cristãos não poderiam ter surgido por acaso, mas “só poderiam vir do céu; uma música na qual se revela a alegria dos anjos com a beleza de Deus.” Certa vez, ele contou a experiência de ouvir Leonard Bernstein regendo Bach, num concerto em Munique. Ele se voltou para seu amigo, o bispo luterano Hanselmann, e disse: “Quem já ouviu isto sabe que a fé é algo verdadeiro.”

Deve ter doído muito a Bento XVI que a música se tornasse um campo de batalha na Igreja Católica, após as convulsões dos anos sessenta.

O liturgista holandês Bernard Huijbers (1922-2003), radical, foi o precursor das novas ideias sobre música litúrgica, após o Concílio Vaticano II. Ele argumentou que o novo princípio de “participação ativa” [dos fiéis] exigia um novo tipo de música litúrgica e um novo tipo de compositor litúrgico, aconselhando que se abandonasse o repertório histórico de música sacra da Igreja e as tradições interpretativas a ela associadas.

Foi um exemplo típico da crescente moda ideológica na Igreja, que considerava não haver mais espaço para a música sacra. Huijbers, e seus muitos acólitos, referem-se aos músicos e às sagradas tradições da Igreja como se fossem uma espécie de “colonialismo musical”. Bento representou uma corajosa resistência a esta revolução estupidificante; uma defesa do patrimônio católico e da tradição.

https://www.spectator.co.uk/article/musics-debt-to-pope-benedict/

Publicidade