Faltam estudos sobre o verdadeiro papel da música na vida social. Por isso, é bem oportuna a publicação recente de um estudo que se propõe a desglobalizar a música. Trata-se do livro Démondialiser la musique: une réponse au naufrage musical européen [“Desglobalizar a música: uma resposta ao naufrágio musical europeu”], de Thierry Decruzy,

“Se você quer controlar as pessoas, comece controlando sua música”, teria dito Platão.

Raramente mencionado, o poder político e cultural da música é, no entanto, essencial e seu impacto na psique a torna uma ferramenta privilegiada para controlar as massas.

É necessário, portanto, questionar o que ouvimos e os motivos que levam a essas escolhas. Assim como é preciso ter consciência de que produtos alimentícios industrializados podem conter elementos tóxicos, é preciso questionar o papel das gravações distribuídas pela indústria fonográfica.

É espantoso encontrar pessoas conscientes de sua identidade cultural, da importância de sua história, defensores de sua cultura e que, ainda assim, escutam a música das “tropas de ocupação cultural”.

Na realidade, as escolhas musicais dos jovens são feitas menos por critérios estéticos do que por critérios comunitários, que neles estão impregnados inconscientemente.

Este livro pretende apresentar o papel da música na vida social e a forma como é explorada pela indústria fonográfica, para daí extrair soluções para desglobalizar a audiência musical.

Démondialiser la musique

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