A sessão desta semana, no Sínodo Alemão, revelou a verdadeira face dos seus organizadores. Não me refiro às suas intenções, que têm sido claras e transparentes desde o início, mas ao estado de espírito dos que as organizam. Tanto que se tornou claro que os nazistas estão de volta, se é que alguma vez se foram.

A primeira sessão do Sínodo, que deveria aprovar o documento que apelava para uma mudança radical na moral sexual, foi, surpreendentemente, rejeitada. Um terço dos bispos votou contra e isto significava, de acordo com as regras que o Sínodo se tinha dado a si próprio, que o documento não estava avançando. Ninguém esperava isto. O escândalo foi enorme, ao ponto de o presidente do Episcopado, Bispo Batzing, diante do pequeno mas significativo grupo de oposição dos seus colegas, ter expresso o seu descontentamento e irritação. O Cardeal Marx adoptou a mesma linha.

No dia seguinte, o documento que propunha o sacerdócio feminino deveria ser votado. Para evitar uma repetição do boicote da minoria católica no Episcopado alemão, Batzing reuniu-se com todos os bispos à porta fechada e chegou a um acordo: eles modificariam o texto, de modo que se tornasse uma petição ao Papa para reexaminar a questão do sacerdócio feminino. Era um texto diluído e inconsequente, de um ponto de vista prático, e o texto foi aprovado.

Mas essa solução não foi suficiente para a maioria dos leigos e bispos que querem uma mudança radical: o passo seguinte foi proibir o escrutínio secreto e forçar uma votação com braço levantado. O grupo de 21 bispos conservadores foi imediatamente diluído e, assim, dois textos muito significativos foram aprovados. Um propunha que as relações homossexuais não tivessem consequências profissionais para os empregados da igreja, algo possivelmente estendido aos padres; e o outro criou um “Conselho Sinodal”, composto por “reformadores”, para implementar as resoluções do Sínodo em dioceses e paróquias.

O ponto da reviravolta chegou, portanto, quando foi abolida a possibilidade da votação secreta.

Os bispos, que votaram contra os dois textos que ficaram por aprovar, sabiam o que os esperava. Deveriam ter estado prontos para o martírio, mas alguns tiveram medo: apenas 8, dos 21, se mantiveram firmes (e outros 8 abstiveram-se). Possivelmente mais de um terá se lembrado da terrível Noite dos Cristais Quebrados [em novembro de 1938], quando aconteceram, em toda a Alemanha, ataques contra judeus e muita gente silenciou.

Agora virá a fase de aplicação do que foi aprovado, corrigido e aumentado. Vários bispos já disseram que implementarão, em suas dioceses, mesmo aquilo que não foi aprovado na assembleia. O que será dos leigos que não concordam com os ensinamentos heréticos ou o comportamento imoral dos seus sacerdotes? O que será dos padres que não podem, em consciência, obedecer às ordens do seu bispo ou àquilo que alguns fiéis deles exigem? E o que será dos padres que agora têm um superior leigo, que censura as suas homilias para que se conformem com o “espírito sinodal”? E o que fará o Vaticano quando tudo isto começar a ser posto em prática?

O presidente dos Jovens Católicos Alemães disse que não querem uma igreja nacional alemã, mas que não terão outra escolha senão criar uma, caso a igreja universal não siga as suas pisadas. Eis, agora, a escolha: ou enfrentar uma cisão na Alemanha (e talvez na Suíça e na Bélgica), ou não fazer nada, deixando o vírus alemão infectar o resto da Igreja, porque muitos considerarão que “quem cala, consente” e o silêncio oficial seria uma forma de aquiescência.