Parece perfeitamente legítimo considerar o ateísmo e o agnosticismo como religiões. No caso do ateísmo, uma religião que professa a fé na inexistência de Deus. Já o agnosticismo é a religião dos que não se preocupam com Deus (esta é a sua preguiçosa profissão de fé…). Em ambas, Deus absolutamente não conta: ou porque não existe, ou porque, mesmo se existisse, não interferiria em nosso mundo. São, portanto, religiões sem Deus, seja pela negação do ateu ou pela indiferença do agnóstico.

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É líquido e certo que a mente humana não consegue descrever cientificamente o mistério de Deus, para frustração de muitos que creem, nem provar a Sua inexistência, para a frustração dos que não creem.  

Nesse ponto intermédio — tentando equilibrar-se entre a incapacidade de provar-se a inexistência de Deus e descrever-se cientificamente o Seu mistério — é que surgem os “equilibrados” agnósticos.

Mais espertos que os ateus, os agnósticos se baseiam justamente nesses limites do conhecimento humano para a sua tese da suspensão provisória de toda e qualquer busca de compreensão desses mistérios, preferindo perder o tempo com coisas menos inefáveis, entre as quais a criação de um mundo novo assentado sobre outras bases morais.

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O que não se pode esquecer é a dimensão política do ateísmo e do agnosticismo. Não são religiões de braços cruzados. O ateísmo está na base das piores experiências históricas dos últimos dois séculos, como o comunismo e o nazismo, com sua pretensão de remoldar o mundo de acordo com o novo rumo apontado por sua bússola sem transcendência.

Outro aspecto a ser considerado: a religião do não Deus acaba se transformando, automaticamente, numa espécie de religião humanitária, na religião do homem deificado. E, de agora para frente, com o crescente poder da ciência e da tecnologia, na religião transumanista do “trans-homem” — do homem feito deus de araque, na contramão do verdadeiro Deus que se fez homem.

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O problema de Deus humilha permanentemente os ateus e os agnósticos, sobretudo os primeiros. Os últimos dão de ombros e logo tratam de se interessar por assuntos de mais fácil resolução, que não deixem suas mentes tão vexadas. São, ambos, os principais propugnadores da ideologia laicista, que pretende expulsar da vida pública qualquer vestígio de crença religiosa diferente da sua, especialmente a cristã.

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A marginalização do assunto Deus na cultura moderna (sobretudo do Deus pregado numa cruz), é cria legítima da soberba luciferina.