Estou quase me deixando convencer pela recente pregação do padre Livio Fanzaga, diretor da Rádio Maria italiana que faz todo dia, pela manhã, uma interpretação cristã dos fatos políticos da véspera. Enfim, um exercício de teologia da história. Segundo ele, já estamos entrando na fase apocalíptica da história da salvação, e elenca alguns motivos que me parecem razoáveis.

Padre Livio tem credenciais para falar do Apocalipse: defendeu doutorado sobre o assunto pela Gregoriana de Roma. O título de sua tese é A Jerusalém Celeste no Apocalipse, defendida em 1966.

Os motivos em que padre Livio se baseia, para afirmar que já estamos entrando na fase apocalíptica da história da salvação, são os seguintes: primeiro, já há um poder mundial, a tal “elite globalista”, com força suficiente para impor um novo conceito de pessoa humana (normalizando o divórcio, o aborto, a eutanásia, o homossexualismo); segundo, já se constata, no interior da própria Igreja, setores cada vez mais numerosos da hierarquia a serviço desse poder planetário, procurando referendar as mudanças que o mundo impõe.

São, segundo ele, as duas bestas apocalípticas, nutridas do mesmo e demoníaco espírito anticrístico.

A presença dessas duas bestas são acompanhadas de alguns sinais, também eles do tipo apocalíptico: a recente peste, a guerra da Ucrânia, que já está provocando fome na África, que depende dos grãos ucranianos. Todo conflito entre nações que possuem bomba atômica já traz em si, como possibilidade, a destruição do planeta.

Para padre Livio, já soavam como trombetas do Apocalipse certas coisas que ocorreram na última guerra mundial, que terminou com o lançamento de duas bombas atômicas e a crescente descristianização da Europa.