[O padre francês Joël Gilbert, da Diocese de Nantes, escreveu um longo ensaio, que pode ser lido integralmente aqui, sobre o recente fenômeno ideológico do wokismo. O propósito do ensaio, em suas próprias palavras, é “penetrar nos mistérios do wokismo para mostrar suas fontes secretas e exorcizar seus graves e sutis perigos. No final do nosso caminho, deixaremos algumas reflexões para os católicos que não querem se deixar esmagar por este tsunami, cuja onda intimidadora cresce dia a dia, como vemos nos noticiários”. Este blog publicou aqui, em novembro de 2021, um pequeno texto sobre a “ideologia woke”].

Todos sabemos que a luta de classes é o princípio ideológico sobre o qual se baseou o marxismo-bolchevismo da União Soviética. Mas muitos pensam, erroneamente, que a célebre luta de classes pertence a um passado definitivamente passado, e as atuais democracias liberais se livraram definitivamente dessas velhas luas.

Nada é menos certo, como gostaríamos de mostrar.

A luta de classes apenas mudou de aparência: o “marxismo econômico” da União Soviética se transformou em um “marxismo cultural” dentro das democracias liberais. O marxismo se tornou wokismo [do inglês “woke”, desperto, consciente]. A chave de leitura ideológica continua a mesma, com o wokismo vestindo os trajes da indignação diante da injustiça, a luta contra a discriminação, o igualitarismo, enfim, uma hipermoral com molho liberal-libertário.

Por que alertar sobre essa ameaça da ideologia woke? Simplesmente porque a Mãe de Deus já o fez (…) em duas grandes aparições que ocorreram no século XX: Fátima em Portugal (1917) e Kibého em Ruanda (1981), ambas oficialmente reconhecidas pela Igreja.

Estão sendo testadas, agora, a nossa fé e a nossa capacidade de sofrer em nome de Cristo. Em terreno democrático, ainda não estamos diante do martírio do sangue, mas de um martírio aparentemente mais gentil: o martírio do ridículo, do ostracismo, do desprezo do mundo, “o martírio da mídia”, como disse um cardeal francês em uma visita “ad limina” a Roma, há alguns anos.

Hoje, um católico que não vê, com clareza, os sutis excessos totalitários das democracias liberal-libertárias, revela que já está mordido por esse falso “amigo que lhe quer bem” (e que já está “vendido” ao mundo). Se ainda não fomos acusados ​​de sermos retrógrados, intolerantes ou “selvagens”, como no romance de Aldous Huxley, interroguemo-nos, pois é muito provável que nossa fé já se tenha enfraquecido.

Sejamos pacientes. Talvez mais cedo do que imaginamos, quando o homem moderno começar a se cansar das mentiras da modernidade, a palavra da Igreja lhe parecerá, de repente,, bastante moderna.

“O caráter ultrapassado da Igreja, que provoca, de um lado, seu enfraquecimento – e sua marginalização –, também pode ser sua força. Os homens sentirão que é necessário opor-se à ideologia banal que hoje domina o mundo, e que a Igreja pode ser moderna precisamente sendo antimoderna, por se contrapor à opinião comum. A Igreja desempenha um papel de contradição profética”, sugeriu o Cardeal Ratzinger há vários anos.