Desde muito cedo, Padre Pio teve a experiência do demônio, a quem chamava de “cossaco” (o povo cossaco era conhecido pelo anticatolicismo), “barbazul” (famoso personagem que matava as esposas) ou belzebu… Contudo, não gostava de rir do demônio. Preferia rir dos que nele não acreditavam, pois eram as suas presas mais fáceis.

Deve ter rido muito de certos teólogos modernos, influenciados pela mentalidade cientificista e na contramão do que sempre ensinou a Igreja, que preferem crer que os demônios não existem, não passando de metáfora do Mal. Essa atitude moderna, aliás, deixa felicíssimo o inimigo, cujo objetivo é mesmo fazer com que as pessoas deixem de acreditar em sua existência, facilitando sobremaneira a sua ação.

Algumas vezes, o embate do Padre Pio com o inimigo era físico: apanhava do capiroto. Depois da luta, o santo saía ofegante e pálido, cabelos e barba desfeitos. Os demônios cercavam-lhe a cama com insultos, zombarias, palavrões. Pulavam aos urros sobre ele e o agrediam com socos, atirando-o contra a parede. Cadeiras caíam, móveis eram arrastados. Os frades, no mosteiro, viam e ouviam tudo.

Nesses ataques, padre Pio ora presenciava figuras horríveis e disformes, ora pessoas (como bailarinas nuas e provocantes, ou algum superior religioso aconselhando-o a abandonar o hábito), ora animais (cachorro, gato, serpente). O demônio chegou até a disfarçar-se da Virgem Maria ou do Anjo da Guarda do santo. Após essas lutas, para consolá-lo, sempre lhe apareciam a verdadeira Mãe de Jesus, o verdadeiro Anjo da Guarda ou o próprio Jesus Cristo.

Noutras vezes, a presença demoníaca era mais sutil. Houve ocasião, num período de grande aridez espiritual, em que Padre Pio parecia carregar um grande peso no corpo e na alma, chegando-lhe a dificultar-lhe a respiração. Revelou que a tentação do demônio, nessa época, era de o fazer desistir do próximo e do bem alheio. Chegou a solicitar a dispensa de orientar almas, com medo de as prejudicar.

Sobre certa peça teatral religiosa, numa cena aparentemente ingênua, padre Pio viu a presença insidiosa do inimigo. Ninguém poderia suspeitar, mas garantiu que lá estava a marca de sua pata invisível. O que não diria ele dos atuais filmes de Hollywood e novelas da Rede Globo?

Em San Giovanni Rotondo, cidade onde o santo viveu a maior parte de sua vida, formou-se nas imediações do convento o bairro de Santa Maria das Graças, em que se fixavam pessoas que, de todas as partes do mundo, vinham para viver perto do Padre Pio, que aliás prezava essa companhia devota. Utilizou muitas dessas pessoas no grande hospital Casa Alívio do Sofrimento, construído sob sua inspiração.

Certa vez, algumas religiosas manifestaram o desejo de se estabelecer ali. Advertiu-as Padre Pio: “Preparem-se para a luta. Aqui reside o estado maior dos demônios!” Uma das tentações mais frequentes do adversário era provocar nesses voluntários a vontade de desistir e voltar às suas cidades. Muitas vezes, quando isso ocorria, Padre Pio era obrigado a lembrar-lhes a origem desse desejo: “Você está querendo fazer a vontade do demônio?”

A experiência pessoal de padre Pio com os anjos maus foi muito útil na orientação de seus filhos espirituais. Sempre lhes aconselhou que pedissem a intercessão de seus Anjos da Guarda, que era um excelente antídoto contra os malefícios do tentador. Padre Pio gostava de dizer que as pessoas deixam ociosos demais os seus Anjos da Guarda. Era preciso mobilizá-los com mais frequência.