As palavras de Deus na primeira leitura de hoje nos apontam, para além de Jeremias, o próprio Jesus. Como Jeremias, Jesus foi consagrado já no ventre materno e enviado como “profeta para as nações” (Lucas 1, 31-33).

Como os profetas antes dele, também Jesus enfrentou hostilidades. No Evangelho de hoje, a multidão na sinagoga de Sua cidade natal rapidamente se volta contra Ele, aparentemente exigindo um sinal, alguma prova de suas origens divinas — pois Ele é mais do que apenas “o filho de José”.

O sinal que Ele lhes dá é o dos profetas Elias e Eliseu. De suas passagens interessantes, Jesus extrai duas histórias. Em cada uma delas, os profetas ignoram “muitos em Israel”, para conceder as bênçãos de Deus a não-israelitas, mas que tinham fé nos profetas como homens de Deus (1 Reis 17, 1-16; 2 Reis 5, 1-14). “Ninguém em Israel foi considerado merecedor”, enfatiza Jesus.

Esse aspecto não passou despercebido aos que O ouviam. Sabiam que Ele os estava comparando àqueles “muitos em Israel”, nos dias dos mencionados profetas. É por isso que tentam atirá-Lo do penhasco. Mas, assim como Deus prometeu proteger Jeremias, também livrou Jesus daqueles que O eliminariam.

Como Elias e Eliseu, Jesus é enviado para proclamar o dom da salvação de Deus não exclusivamente a uma nação ou povo, mas a todos que compreendem, pela fé, que desde o ventre materno só Deus é a sua esperança, o seu redentor, a sua “rocha protetora”, como cantamos no salmo de hoje.

As profecias, como São Paulo nos diz na Epístola de hoje, são parciais e passarão “quando vier o que é perfeito”. Em Jesus, a palavra dos profetas foi levada à perfeição, cumprida naqueles que têm ouvidos para ouvir, como Ele declara no Evangelho de hoje.

Maior que os dons da fé e da esperança, Jesus nos ensina que devemos amar como Ele amou: amar a Deus como nosso Pai, como Aquele que nos formou no ventre materno e nos destinou a ouvir a Sua Palavra de salvação.

Nisto consiste a salvação. São as “poderosas obras do Senhor”: como o salmista, damos graças por poder proclamá-las, diariamente, na Eucaristia.

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