Questão do dia: “Que romance do século 19 aponta o caminho para uma solução duradoura das tensões raciais que afligem, hoje, os EUA?”

Se você respondeu Cabana do Pai Tomás, está errado. Como observou o presidente Lincoln, a pintura da escravidão de Harriet Beecher Stowe ajudou a desencadear a Guerra Civil. A resposta correta é o clássico de Mark Twain As Aventuras de Huckleberry Finn.

Às vezes chamado de o primeiro grande romance americano, As Aventuras de Huckleberry Finn é apresentado como uma narrativa dialetal de um menino de espírito livre, que foge de um pai cruel e uma sociedade repressiva na companhia de um escravo negro fugitivo chamado Jim. O livro narra suas aventuras pitorescas e, às vezes, assustadoras, enquanto descem o Mississippi em busca do que cada um espera que possa ser a liberdade.

Mais do que apenas uma história pitoresca, o livro faz um retrato da escravidão antes da Guerra Civil, filtrada pela consciência perturbada de um menino iletrado, mas intuitivo, que se vê obrigado a cotejar a experiência vivida contra o código hipócrita de uma sociedade que aprova a propriedade de alguns seres humanos por outros.

Em vez de pregação, Twain nos leva para o interior da mente de Huck enquanto luta com seu dilema ético. Na passagem central do livro, Jim foi detido e está sob custódia, aguardando a localização de seu dono. Huck sabe quem é: uma senhora idosa que tinha sido gentil com ele. Educado a considerar como gravemente pecaminoso dar ajuda a um escravo fugitivo, escreve uma carta à velha, informando-lhe onde poderia reivindicar a sua propriedade.

“Senti-me bem, e limpo de todos os pecados, pela primeira vez na vida”, lembra Huck, “e sabia que agora podia rezar”. Mas, então, começa a pensar. Lembra-se dos momentos alegres que ele e Jim tiveram, rindo e cantando juntos no rio; as vezes em que Jim ficou de vigia para que ele pudesse dormir um pouco mais. Lembra-se de outros exemplos da bondade e gentileza de Jim, inclusive quando o homem negro lhe disse que ele havia sido “o melhor amigo que o velho Jim já teve neste mundo.”

Foi então seus olhos se voltaram para a carta com a qual iria trair Jim. “Peguei-a e segurei-a na minha mão. Estava tremendo, pois eu tinha que decidir, para sempre, entre duas coisas, e eu sabia disso. Ponderei um minuto, quase prendendo a respiração, e depois disse para mim mesmo: ‘Tudo bem, então. Eu vou para o inferno’, e a rasguei.”

Twain escreveu a maior parte de Huckleberry Finn logo após seu livro anterior, As Aventuras de Tom Sawyer, ser lançado em 1876. No entanto, sem saber como terminar a história, esperou vários anos antes de finalmente terminá-lo em 1884. Sem ideias para a conclusão, Twain finalmente se voltou para o personagem Tom Sawyer (importado do romance anterior), que inventa um esquema maluco para libertar Jim, o que quase custa a vida de Jim, Huck e Tom. Depois disso, vem um final feliz apressado e pouco convincente, que deixa o leitor sentindo-se de alguma forma ludibriado.

Mas, para seu crédito eterno, Twain encontrou a solução mais correta para o problema racial. No final, ele deixa claro que a única resposta duradoura está em reconhecer e celebrar nossa humanidade comum.

E o que acontece, agora? Atualmente, alguns ativistas se comprazem com alguns gestos simbólicos, como derrubar estátuas de generais mortos. Provocam sem persuadir. Outros se ocupam em fomentar a culpa nos brancos, exigindo reparações. Se há uma moral a tirar daqui, é que a ficção de Mark Twain, em contraste com a agitação contemporânea proveniente de uma permanente inquietação social, aponta o caminho autêntico para a busca da igualdade e da paz social.

https://www.catholicworldreport.com/2022/01/13/mark-twains-correct-solution-to-the-race-problem/