O que faz a mente humana transformar-se em solo fértil e adubado, de modo a dar bons frutos no terreno das ideias? Para o professor americano John Senior (em La restauración de la cultura cristiana. Trad. de Rubén Peretó Rivas. Madrid, Homo Legens, 2018), é a cultura literária. A solução é ler os clássicos da literatura. Senior não acha necessário fazer uma lista dessas obras clássicas: “…um clássico é uma obra cujo título todos conhecem”.

Segundo ele, “A fecundidade das ideias de Platão, Aristóteles, Santo Agostinho ou Santo Tomás não pode se manifestar senão no terreno de uma imaginação saturada de fábulas e contos de fadas, histórias e poemas, romances e aventuras”. Sem esse trato prévio do solo com o adubo da imaginação literariamente trabalhada, a semente até que pode germinar; porém, como o solo é pobre, a planta não desenvolve, não dá bons frutos.

“Da mesma forma que o vinho se perde em garrafas rachadas, os livros se perdem em espíritos que já não sabem mais ler”. Saber ler, para Senior, é bem diferente do método preconizado pelos atuais cursos de Letras: defende ele uma leitura diletante, “da pessoa comum que se diverte com o que lê, ignorante daqueles exames críticos, históricos ou textuais que destroem o que analisam, que são tão inimigos da cultura quanto os estudos da sexualidade o são do casamento, ou a agricultura científica da vida no campo”, dispensando “dicionários, enciclopédias, atlas, guias, edições críticas, notas, apêndices biográficos e históricos. Tudo isso é a ciência da literatura, uma aplicação errônea do método científico a um terreno que está além de seu alcance”.

Ao contrário, preferia John Senior uma forma mais simples de leitura: direta, agradável, espontânea e livre. Reconhecia que, se isso não era suficiente para a formação científica e filosófica, era porém indispensável para o desenvolvimento moral, intelectual e espiritual da pessoa. Era necessário começar dali, com as crianças, adolescentes e jovens. O resto viria em seguida.

Para John Senior, uma boa cultura literária é indispensável para aquisição da verdadeira sabedoria, e esta, por ser coisa de Deus, acabaria por conduzir inevitavelmente à Igreja fundada por Deus.