[O grande poeta italiano Giuseppe Ungaretti (1888-1970) retornou à fé católica em 1928. Pouco depois, perdeu a mãe. E, então, escreveu esse belo poema, na esperança de que ela, junto de Deus, intercederia por ele].

E quando o coração, depois da última batida,
Terá feito cair por terra a parede de sombras,
Como antes me darás tua mão, ó Mãe,
Para me conduzir até o Senhor.

Ajoelhada e decidida,
Serás uma estátua diante do Eterno,
Do mesmo modo como eu te via
Quando ainda estavas viva.

Erguerás trêmula os teus velhos braços,
Como quando expiraste
Dizendo: “Meu Deus, aqui estou eu.”

E só quando eu for perdoado,
Haverás de querer me olhar de novo.

Recordarás o quanto esperaste por mim,
E teus olhos darão um rápido suspiro.

*

LA MADRE

E il cuore quando d’un ultimo battito
Avrà fatto cadere il muro d’ombra,
Per condurmi, Madre, sino al Signore,
Come una volta mi darai la mano.

In ginocchio, decisa,
Sarai una statua davanti all’Eterno,
Come già ti vedeva
Quando eri ancora in vita.

Alzerai tremante le vecchie braccia,
Come quando spirasti
Dicendo: Mio Dio, eccomi.

E solo quando m’avrà perdonato,
Ti verrà desiderio di guardarmi.

Ricorderai d’avermi atteso tanto,
E avrai negli occhi un rapido sospiro.

(Giuseppe Ungaretti. Vita d’un uomo. Tutte le poesie. Milano, Mondadori, 1969).