Há uma magnífica tradição poética no Carmelo. A prática da oração e da contemplação permite uma grande interioridade entre os Carmelitas, alguns dos quais compartilham conosco sua beleza por meio de seus escritos. É particularmente o caso dos grandes santos do Carmelo, que também são grandes poetas.

Meditemos com Santa Teresa d’Ávila, que — com estes poucos versos de seu “poema n ° 8” — nos convida a um tempo de meditação e de intimidade com aquele que está presente em nós:

“Se por acaso não souberes onde me encontrar,
Não andes daqui pra ali;
Se quiseres me encontrar,
Procure-me em ti.
Já que tu és minha casa, és o meu lar e minha morada.
Por isso bato a todo momento,
Se a encontro fechada,
Na porta do teu pensamento.”

Contemplemos, com São João da Cruz e com o seu Cântico Espiritual, que convida a olhar o mundo e a natureza com os olhos amorosos de Cristo, vendo como toda a beleza nos fala de Deus:

“Mil graças derramando,
Apressado passou pela natura
E, para ela olhando,
Bastou sua figura
Pra logo a revestir de formosura.”

Provemos o momento presente, este tempo de Deus, com Santa Teresinha de Lisieux e seu poema “Minha canção de hoje”:

“Minha vida é apenas um momento, um instante passageiro…
Minha vida é só um dia que me escapa e foge.
Tu o sabes, oh meu Deus! Para te amar aqui na terra
Só tenho o dia de hoje!…”

Sintamos o sopro do Espírito com Edith Stein, Santa Teresa Benedita da Cruz:

“Tu, que estás mais perto de mim do que eu mesma,
Que estás mais dentro de mim que meu próprio coração,
E, no entanto, inatingível e inconcebível,
Além de todo e qualquer nome,
Espírito Santo, Amor Eterno!”