Estamos no Natal. Muitos regozijam-se porque têm mais dinheiro para gastar ou porque podem gozar alguns dias de férias. Para nós, católicos, a razão principal é diferente. A nossa alegria deriva do fato de estarmos a recordar o nascimento do Filho de Deus feito homem, o filho da Imaculada e sempre Virgem Maria.

Mas porque nos regozijamos por essa razão? O que é tão importante que, 2021 anos depois, ainda estamos a celebrá-lo e até difundimos um pouco da nossa alegria àqueles que não têm a nossa fé ou àqueles que não têm qualquer fé? No meio da escuridão que nos rodeia, ainda mais profundamente dentro da própria Igreja do que fora, devemos saber como responder a essa pergunta, para o bem dos outros e mesmo para o nosso próprio bem.

Embora a lista de razões seja longa, eu escolhi estas sete:

1. Deus tornou-se homem, o que significa não só que Deus existe, mas que ama o homem o suficiente para se tornar um de nós, com todas as suas consequências. Portanto, confessamos que o Filho de Deus é o filho do homem, que Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e damos graças por isso.

2. A encarnação do Filho de Deus tem um propósito: não é o turismo ou o envio de um cobrador de impostos para uma província remota do Império. Deus tornou-se homem para nos salvar. De quem? De nós próprios, dos nossos pecados e das suas consequências. É por isso que confessamos que Cristo é o nosso Salvador e damos graças por ele.

3. Cristo não é um Salvador entre outros “salvadores”, um grande homem entre muitos outros grandes homens. Porque Ele é Deus feito homem, Ele é o único Salvador. Portanto, confessamos que só Nele podemos encontrar a salvação e que não há ninguém que se possa comparar a Ele e agradecemos por isso.

4. A vinda do Salvador não foi em benefício de poucos, mas a Sua salvação está aberta a todos os homens que a queiram aceitar, acreditando n’Ele e tentando praticar o Seu ensinamento. É por isso que confessamos que Cristo é o Salvador de todos, porque evangelizamos para que todos possam ter acesso à salvação que vem de Cristo e dar graças por ela.

5. Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, salvou-nos oferecendo-se a si mesmo em sacrifício, voluntariamente, na Cruz. A sua morte foi redentora, as suas feridas curaram-nos e o seu sangue derramado deu-nos uma nova vida. Ele não morreu por capricho, mas por ser necessário que Ele limpasse a dívida dos nossos pecados. Portanto, confessamos que o seu sacrifício, atualizado e renovado em cada Eucaristia, foi necessário e suficiente para obter a nossa salvação, e damos graças por isso.

6. A morte de Cristo na cruz foi seguida pela ressurreição, o que significa que há vida eterna; e que aqueles de nós que com Ele morreram, viverão com Ele; que a morte não é o fim da vida, mas apenas um passo para estar com Deus eternamente, se tivermos morrido em graça. Portanto, confessamos que, com o nascimento de Cristo, nasceu a nossa esperança e que, com a sua ressurreição, as portas do céu se abriram para nós, e agradecemos por isso.

7. Cristo é também o Professor, a Palavra feita carne. N’Ele está a plenitude da Verdade, pois Ele é a Verdade. A sua mensagem é eterna; não é invalidada pela passagem do tempo, mas válida para todas as culturas. Não precisa ser modificada ou adaptada, mesmo que a forma como é apresentada tenha de ser sempre atualizada. É por isso que confessamos: as palavras de Cristo não passarão e não devemos adaptá-las ao mundo, mas sim fazer com que o mundo se adapte a elas, e damos graças por isso.

Estas são sete razões pelas quais estamos extraordinariamente felizes. Mas tenho mais uma, sobre a qual não posso ficar calado. O nascimento do Filho de Deus não teria sido possível sem a cooperação humana. Ele queria envolver-nos no trabalho de redenção. A pessoa que, em primeiro lugar e de uma forma insuperável, colaborou na missão redentora de Cristo, foi a Virgem Maria. Ela foi a primeira, mas não a única, pois todos nós somos chamados a esta colaboração. Ela não é igual ao seu Filho, pois não é uma deusa, mas sem ela Jesus não poderia ter nascido e não teria recebido o amor, a educação e os cuidados que um ser humano necessita.

É por isso que agradecemos a Deus por Maria, e dizemos, cheios de amor por ela, que ela é, como colega de trabalho, corredentora. Feliz e santo Natal. Se o mundo ainda está na escuridão, somos afortunados, pois a luz de Cristo, através de Maria, nos ilumina e nos salva.