Setembro de 1918 foi um mês muito difícil para o Padre Pio. Tinha trinta e um anos. O papa reinante era Bento XV e a Primeira Grande Guerra chegava ao fim. Durante as primeiras semanas, passou lutando contra o vírus da gripe espanhola — a covid daquela época —, que naquele ano atingiria pelo menos quinhentos milhões de pessoas no planeta e um mínimo de cinquenta milhões de mortos.

Embora ainda muito fraco, ele parecia já recuperado quando, na manhã do dia 20 — justamente uma sexta-feira —, depois de celebrar a Missa e procurar o coro da capela conventual para a ação de graças, sentiu um forte estremecimento no corpo. Ao voltar ao normal, teve uma visão mística do Cristo crucificado e, no final, depois de ouvi-Lo dizer “Associo-te à minha Paixão”, notou os estigmas que o acompanhariam pelo resto da vida. O próprio capuchinho conta como foi:

“De repente, apoderou-se de mim um grande tremor; depois, veio a calma, e vi nosso Senhor em atitude de quem está numa cruz — mas não me apercebi de que houvesse cruz -, lamentando-se da ingratidão das pessoas, especialmente das consagradas a ele e por ele mais favorecidas. Via-se, por isso, que ele sorria e que desejava associar almas à sua Paixão. Convidava-me [a] compenetrar-me das suas dores e a meditá-las; ao mesmo tempo, a ocupar-me da salvação dos irmãos. Então, senti-me cheio de compaixão pelas dores do Senhor e perguntei-lhe o que podia fazer. Ouvi estas palavras: “Associo-te à minha Paixão’. Depois disso. a visão desapareceu, caí em mim e vi estes sinais, dos quais gotejava sangue. Antes eu não tinha nada.” (Francesco Castelli. Padre Pio sob investigação. Trad. São Paulo, Paulinas, 2012, p. 14)

Apareceram, nos próximos dias, alguns indícios de que de essa associação com Cristo era real. Seus familiares, que viviam em Pietrelcina, contaminaram-se com o vírus. Já no domingo seguinte à estigmatização, perdeu o sobrinho Pellegrino, com apenas quatro anos de idade, e, três dias mais tarde, na quarta-feira, a sua muito querida irmã Felicità, mãe de Pellegrino, aos vinte o nove anos. Quase perdeu a mãe, que não mediu esforços no cuidado com a família.

Paralelamente a essas grandes dores, Padre Pio teve uma recaída na gripe, que se foi arrastando até dezembro, inclusive com uma broncopneumonia provocada pelo vírus. Foram mais de dois meses com permanente indisposição e febres altas. Contudo, mesmo infectado, Padre Pio agiu como verdadeiro santo: combinou com Deus que rezaria só pelos outros, jamais por si mesmo, e se recuperaram várias pessoas por quem intercedeu.