Pascal Bruckner é um conhecido escritor e jornalista francês. Considera-se progressista, embora não se acanhe, aqui e ali, de ter posições mais conservadoras. Junto com outros treze escritores franceses, foi passar um retido de três dias e três noites na Abadia de Lagrasse, fundada por beneditinos no século VIII e dali expulsos, no século XVIII, pela Revolução Francesa. Ali vivem os Cônegos Regulares da Mãe de Deus, uma ordem religiosa que praticam as regras de Santo Agostinho.

Do retiro desses intelectuais, alguns católicos, outros sem prática religiosa, saiu um livro, Trois jours et trois nuits (“Três dias e três noites”), que reúne os depoimento dos quatorze participantes.

Sobre a experiência em Lagrasse, Pascal Bruckner escreveu essas misteriosas palavras, que revelam o poder de sedução do cristianismo, mesmo para quem, tocado pela graça, ainda resiste a dar o passo definitivo da fé:

“Embora resistente à fé, o fato religioso me perturba […] Desta breve estada na abadia, lembro-me disto: a extrema juventude dos frades e sua equanimidade, ou melhor, seu bom humor, sua disponibilidade permanente.”

“A Abadia de Lagrasse não reza, mas testemunha. Continuo cristão pela cultura, um cristão de memória e nunca negarei a religião da minha infância. Eu permaneço no limiar do mistério, sem nele entrar. O debate entre filosofia e teologia, entre dúvida e fé não deve cessar. Mesmo um ateu ainda acredita na não-existência de Deus, ele acredita firmemente que não acredita. […]. Deus precisa de Lagrasse. Nós também.”