A ordem é essencial para a estruturação da criança. A este respeito, parece-me muito importante refletir sobre o tempo. A vida deve ser regular, baseada em ritos familiares. A regra é simples: “As mesmas coisas nas mesmas horas”, que formam hábitos preciosos. Esses costumes regulares aliviam a autoridade dos pais, que, assim, não são mais obrigados a intervir com ordens frequentes e repreensões incessantes. Quando os filhos crescerem, estarão armados contra as tentações da preguiça.

A criança ama a casa, que é o seu universo. Ela gosta de ter tempo para si mesma, para brincar sozinha enquanto vai se contando histórias; para sonhar; para deixar a sua imaginação correr livremente. Temos a tendência, com a melhor das intenções, de sobrecarregar seus horários. Não é o enriquecimento massivo que permite os melhores resultados.

Nós próprios temos pouco tempo. Estamos sempre com pressa. Não temos tempo para rezar. Por que isto ocorre?

Porque estamos perdendo nosso tempo! “…nosso trabalho é desordenado, não temos tempo para rezar, e, porque não rezamos, nosso trabalho se complica” (John Sênior). Se gastamos tempo com deslocamentos, eliminemos os deslocamentos desnecessários. Atividades de lazer? Frequentemente, são “complicadas e caras, estéreis e destrutivas” (Idem).

Mas a grande perda de tempo é aquela que é consumida pelas telas: televisores, computadores, tablets e, principalmente, smartphones. Se era relativamente fácil controlar o uso dos televisores, com os aparelhos móveis ficou mais difícil!

Para encontrar, no mundo de hoje, harmonia consigo mesmo e uma consciência clara do que se busca, é preciso muito esforço. Tenhamos coragem! Não digamos “Mas pra que tudo isto?” É sinal de velhice. Como dizia Charette [militar francês que participou da resistência católica na Vendeia], ralhando com seus homens: “Nós somos a juventude do mundo!”

(Revista Sedes Sapientiæ n°153)