O “negativo”, tendência de negar a ordem da realidade, sempre foi uma sedução para o ser humano, a começar já por Eva, depois por Adão, e logo mais por Caim. De lá para cá, continuamente a humanidade tem sido tentada a negar a obra da Criação, reconstruindo-a a seu gosto, como se essa loucura fosse realizável.

Tal sedução niilista parece ter virado moda, em nossa época, sobretudo depois que o filósofo Hegel garantiu, para o mundo acadêmico, que o “negativo” é uma virtude, um passo fundamental na marcha triádica da História (tese/antítese/síntese).

Um bom exemplo do “negativo” como virtude ocorreu recentemente na supercivilizada Nova Zelândia, que se orgulha de já contar com metade da população composta de pessoas declaradamente sem fé religiosa.

Acontece que aquele país da Oceania, que conseguiu limitar o número de casos de Covid-19 em seu território, tem visto desde outubro um aumento na contaminação (cerca de 3,5 milhões de pessoas são vacinadas, entre os cinco milhões de neozelandeses).

O que fez o governo para aumentar o número de pessoas vacinadas no país, especialmente entre os nativos maoris? Convocou gangues de rua para defender a vacinação contra a covid: em vídeo divulgado a partir de 2 de novembro, sete líderes de vários bandos criminosos do país pedem que as pessoas se vacinem.

Entre eles, está um certo Denis O’Reilly, membro vitalício do Black Power, gangue de maoris e polinésios envolvidos com o crime organizado e o tráfico de drogas. “Acho que tive uma vida muito boa e trouxe coisas para a nação”, disse ele no clipe. “Eu gostaria de dar a todos os meus irmãos mais novos a chance de fazer o mesmo. Recebi algumas balas na minha vida, mas agora recebi minhas duas doses da vacina Covid e peço que você faça o mesmo.”

https://www.courrierinternational.com/revue-de-presse/video-la-nouvelle-zelande-fait-appel-des-chefs-de-gangs-pour-proner-la-vaccination