[O poeta santista Ribeiro Couto, um dos maiores que o Brasil já teve no século XX e, portanto, injustamente esquecido, fez este poema em homenagem ao grande cardeal polonês August Hlond, que viveu no período mais difícil da história polonesa contemporânea: sofreu tanto o terror nazista, que o encarcerou por um ano, como o comunista, que por várias vezes tentou assassiná-lo. Seu processo de beatificação está em curso na Santa Sé. Este poema foi escrito em 1939, quando Ribeiro Couto servia na embaixada brasileira de Haia, na Holanda, um pouco antes de, em 1940, regressar ao Brasil em consequência da ocupação alemã da Holanda. Em 1939, iniciava-se o desterro de Dom August Hlond, forçado pelos nazistas a viver longe da sua diocese, em Poznam].

A S. E. Dom Augusto Hlond, Arcebispo Primaz de Poznam

Tomaram as minhas paróquias, com as minhas aldeias,
As cabanas dos meus lavradores, seus gados, seus campos de trigo,
As escolas dos meus meninos, onde estão a ensinar-lhes línguas alheias,
As minhas igrejas, onde vinham velhinhas cantar comigo.

As águas dos rios, manchadas de sangue, agora são feias,
E eram tão belas, com barcos tranquilos a andar sem perigo!

Também o meu sangue, o sangue ardente que me corre nas veias,
Daria eu por ver, libertas das tropas do chefe inimigo,
Aquelas paróquias, com suas tão simples e boas aldeias,
E os meus lavradores, que não mereciam, meu Deus! tamanho castigo.

Haia, setembro de 1939