[Eric Zemmour, o jornalista conservador, de origem judaica, que provavelmente disputará com Macron, no próximo ano, a presidência da França, fazia uma boa síntese há quase cinco anos, em artigo para Le Figaro, da atual mentalidade politicamente correta. A seguir, trechos do artigo].

“[Esses] Pequenos grupos de feministas, gays e antirracistas, cada um seguindo seus próprios objetivos, na hora H se aliam contra seu inimigo comum: o homem branco heterossexual. Têm uma inspiração filosófica comum, vinda da famosa «French Theory», a teoria desconstrucionista que migrou para os campi americanos a partir da década de 1960 e lá se transformou no “politicamente correto” midiático e judiciário.

Eles usam os fracos, mas são eles os verdadeiros poderosos. O Estado está ao lado deles. A máquina judiciária está ao seu serviço. A mídia de esquerda os apoia. Em nome dos direitos das minorias e do respeito pelas vítimas eternas — mulheres, homossexuais, minorias “racializadas” —, esses ativistas querem eliminar todas as expressões culturais do Ocidente.

Seus métodos podem mudar, mas seu propósito permanece o mesmo.

Transformam as mulheres cultas de Molière em feministas incendiárias.

Acusam Michel Audiard [escritor e roteirista francês de direita] de ter sido um colaboracionista.

Teriam censurado as canções de Georges Brassens ou Jacques Brel por homofobia ou misoginia.

Acusam a gramática de manter as desigualdades entre homens e mulheres.

Não deixam escapar nada, nem a menor piada, nem a mais leve expressão.

Fizeram sua própria vulgata marxista de mistura com o gramscismo: a cultura é, para eles, o reflexo do equilíbrio de poder na sociedade.

A cultura do homem branco heterossexual é essencialmente opressora; deve, portanto, ser deslegitimada, condenada ao ostracismo, demonizada. Deve ser erradicada. Deve ser substituída.

“Nós só destruímos realmente o que substituímos”, disse Danton.