No evangelho deste domingo, os fariseus tentam surpreender Jesus com uma pergunta enganosa.

A “legalidade” do divórcio em Israel nunca foi questionada. Moisés o havia permitido (v. Dt 24,1-4). Apesar disso, Jesus faz voltar os seus antagonistas a um momento antes de Moisés: “o princípio”, e lhes dá sua interpretação do texto que ouvimos na primeira leitura.

O divórcio, nos diz o Cristo, viola a ordem da criação. Moisés o permitiu como uma concessão à dureza do coração do povo – isto é, à sua incapacidade de ser fiel à Aliança, à Lei de Deus. Mas Jesus veio para cumprir a Lei e revelar seu verdadeiro significado e propósito; e dar ao povo a graça de guardar os mandamentos de Deus.

Cristo nos revela que o casamento é um sacramento, um sinal divino e vivificante. Através da união do homem e da mulher, Deus quis derramar suas bênçãos sobre a família humana, tornando-a fecunda e multiplicando-a até que enchesse a terra (v. Gn 1, 28).

É por isso que o Evangelho de hoje passa tão facilmente do debate sobre o casamento à bênção de algumas crianças por Jesus. As crianças são as bênçãos que o Pai concede aos casais que seguem seu caminho, como cantamos no salmo de hoje.

O casamento é também um sinal da Nova Aliança com Deus. Como a epístola de hoje deixa entrever, Jesus é o Novo Adão – feito um pouco inferior aos anjos, nascido de uma família humana (v. Rm 5, 14; Sl 8, 5-7). A Igreja é a nova Eva, a “mulher” nascida do lado trespassado de Cristo, durante o sono da sua morte na cruz (v. Jo 19, 34; Ap 12, 1-17).

Por meio da união de Cristo e da Igreja como “uma só carne”, o plano de Deus para o mundo foi cumprido (v. Ef 5, 21-32). Eva era “a mãe de todos os viventes” (v. 3, 20). Por outro lado, no batismo somos feitos filhos da Igreja, filhos do Pai, herdeiros da glória eterna que Ele destinou à família humana desde o princípio.

O desafio para nós é viver como filhos do reino e crescer firmemente em nossa fidelidade, amor e devoção a Cristo e aos ensinamentos de sua Igreja.

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