O OCIDENTE E O ABORTO. Se na maioria dos países ocidentais a cultura da morte está sendo esmagadoramente implantada, o mesmo não ocorre em todos os lugares.

Esta semana, por exemplo, no Chile, a Câmara dos Deputados deu a sua aprovação legislativa para aprovar o aborto: uma lei que permitirá a matança dos nascituros até 14 semanas. Os bispos chilenos protestaram e foram ignorados, numa nova demonstração da irrelevância e incapacidade da Igreja para defender os mais fracos.

O Episcopado espanhol também não foi muito bem-sucedido na sua defesa da vida e na sua rejeição da nova lei da eutanásia: o porta-voz e secretário do Episcopado, Monsenhor Argüello, lamentou que seja considerado progressista proteger o lobo e conservador defender a vida de um ser humano. Também criticou a lei aprovada na Câmara dos Deputados, que irá perseguir aqueles que rezam em frente às clínicas de aborto. Nem os bispos chilenos nem os espanhóis, nem praticamente todo o episcopado Ocidental têm qualquer influência nos seus respectivos governos, o que, entre outras consequências, deixou os mais pobres dentre os pobres sem a proteção que a Igreja outrora lhes oferecia.

A CHINA E O ABORTO. Mas se esta é a situação no Ocidente, a situação não é a mesma no Oriente. Para surpresa de quase todos, a China decidiu restringir o acesso ao aborto apenas a casos relacionados com a saúde da mãe ou do feto. Não é porque os comunistas, que governam aquele país com punho de ferro, se tenham convertido, mas por razões econômicas.

Primeiro, houve por lá a política de filho único, que punia aqueles que decidiam ter um segundo filho. Como a cultura chinesa considera as mulheres inferiores, isto significava matar milhões de meninas antes de poderem nascer, com o subsequente desequilíbrio demográfico. Depois, permitiram o nascimento de duas crianças, para ver se isso resolveria o problema, mas viram que não era suficiente porque, embora o governo seja comunista, a sociedade tornou-se consumista e os pais já não querem ter filhos. Como medida desesperada, não há muito tempo decidiram remover as restrições e permitir famílias numerosas, mas cedo perceberam que isto também não funcionava. Assim, o passo seguinte foi a proibição do aborto. Em poucos anos, passaram de pôr na prisão qualquer pessoa que tivesse um segundo filho a pôr na prisão qualquer um que praticasse aborto.

A China, com a semi-proibição do aborto, está seguindo uma política de sobrevivência. Não há qualquer motivação ética ou religiosa por detrás disso. É simplesmente uma questão de números. O gigante asiático percebeu que, com o ritmo atual, a sua população envelhecerá drasticamente dentro de algumas dezenas de anos e o seu país deixará de ser competitivo, porque a sua taxa de fertilidade é de 1,7.

O SUICÍDIO DEMOGRÁFICO DO OCIDENTE. A Europa e outros países ocidentais ainda não se aperceberam do grave erro das suas políticas anti-natalistas. A taxa de fertilidade em Espanha é de 1,2, um valor muito inferior ao 2,1 considerado necessário para que a população não diminua. A Itália está na mesma ou ainda pior, embora em ambos os países os números fossem ainda mais catastróficos se não fosse o fato de as mulheres migrantes, especialmente as muçulmanas, estarem aumentando o número médio de filhos por mulher. Os Estados Unidos e a Colômbia estão como a China, com 1,7; o México já desceu abaixo de 2,1.

No entanto, os políticos não veem isto. Não se apercebem que matar crianças é matar o futuro. Continuam considerando a defesa da vida como retrógrada e levam o seu assédio ao extremo de perseguir qualquer pessoa que reza um terço na rua, mesmo que estejam a dezenas de metros de distância dos centros de aborto. As grandes fundações dos super-milionários dedicam enormes somas de dinheiro a subsidiar esta cultura de morte, e as Nações Unidas tornaram-na uma das suas principais marcas. Matar os inocentes é agora um direito em muitos países e defendê-los é causa de perseguição. Enquanto isso, a China prepara-se para se tornar a principal potência mundial, e não o faz apenas colocando satélites no espaço ou enchendo os mercados com os seus produtos. Será que os socialistas e comunistas europeus e latinos irão um dia compreender que não há nada mais progressista do que defender a vida?