O Evangelho deste domingo apresenta uma cena que lembra outro momento da história de Israel: o episódio que ouvimos na primeira leitura. Os setenta anciãos que recebem o Espírito de Deus por meio de Moisés, antecipam o ministério dos apóstolos. Como Josué na primeira leitura, João está errado em supor que apenas alguns poucos serão inspirados e encarregados de executar os planos de Deus. O Espírito sopra onde quer (v. Jo 3, 8) e Deus deseja concedê-lo a todo o seu povo, em todas as nações abaixo do céu (v. At 2, 5,38).

Deus pode e poderá agir com grande poder através das pessoas comuns, de quem não se espera muita coisa. Somos todos chamados a realizar até as tarefas mais simples, como dar a alguém um copo de água em Seu nome e por causa de Seu reino.

João acredita que está protegendo a pureza do nome do Senhor. No entanto, na realidade, está defendendo apenas seus próprios privilégios e status. Percebe-se que os apóstolos querem obstruir o ministério de um exorcista. Isso porque a autoridade para expulsar demônios e espíritos imundos era um dos poderes específicos concedidos aos Doze (v. Mc 3,14-15; 6 ,7.13).

“Mas quem pode perceber suas faltas? Perdoai as que não vejo!”, rezamos no salmo de hoje. Muitas vezes, como Josué e Juan, talvez sem perceber, escondemos nossas faltas e medos sob o pretexto de defender a Cristo ou a Igreja.

No entanto, como Jesus nos diz no Evangelho, em vez de nos preocuparmos em saber quem é verdadeiro cristão e quem não é, devemos antes nos empenhar em viver de acordo com a nossa vocação de discípulos (v. Ef 1, 4).

O conselho que damos, ou o nosso testemunho de vida, não são causas de escândalo, fazendo com que os outros duvidem ou percam a fé? Fazemos o que devemos por amor à vontade do Pai ou por outras razões?

Precisamos continuar meditando em sua Lei, como cantamos no salmo de hoje. Devemos pedir em oração a graça de enxergar nossas próprias faltas e superá-las.

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