A primeira leitura de hoje pode nos ajudar a imaginar que ouvimos, por trás da parede, as murmuracões homicidas dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas. Deles Jesus falou no Evangelho da semana passada, dizendo que eles o fariam sofrer e o matariam (v. Mc 8, 31; 10, 33-34).

A liturgia nos convida a ver, nesta passagem do livro da Sabedoria, uma profecia da Paixão do Senhor. Ouvimos os seus inimigos se queixarem de que “o Justo” desafiou a sua autoridade, repreendendo-os por violar a Lei de Moisés e trair o que aprenderam como líderes e mestres do povo.

E ouvimos palavras assustadoras que predizem as zombarias que se dirigirão ao Cristo pregado à cruz: “Se o justo é filho de Deus, Deus o ajudará e o livrará de seus adversários” (v. Sab. 2: 18; Mt 27,41-43) .

O Evangelho e o Salmo hoje nos dão o outro lado da moeda com relação à primeira leitura. Em ambos, vemos os sofrimentos de Cristo a partir do seu ponto de vista. Embora seus inimigos o assediem, ele se oferece livremente em sacrifício, confiando que Deus o sustentará.

Mas os apóstolos não entendem este segundo anúncio de sua paixão. Eles começam a discutir sobre sucessão; divergem sobre qual deles é o mais importante e quem será eleito líder depois que Cristo for morto.

Outra vez, eles estão pensando não como Deus, mas como homens (v. Marcos 8, 33). E novamente Cristo ensina aos Doze — os dirigentes escolhidos de sua Igreja — a liderar imitando seu exemplo de amor e sacrifício de Si mesmo. Eles têm que ser “servos de todos”, especialmente dos fracos e desamparados, representados pela criança que Jesus abraça e põe no meio deles.

Esta lição é também dirigida a nós. Devemos pensar como Cristo, que se humilhou a Si mesmo para nos salvar (Fil 2, 5-11). Temos que nos entregar livremente e oferecer tudo o que fazemos, como sacrifício de louvor ao Seu nome.

Como o apóstolo São Tiago diz na epístola de hoje, devemos buscar a sabedoria que vem do alto: humilde, não arrogante; sempre pacífica e cheia de misericórdia.

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