ALDEIA GLOBAL. Os gregos antigos davam o nome de ágora às praças de suas cidades, onde comerciantes expunham e vendiam seus produtos. Curiosamente, ideias também circulavam por aqueles lugares, pois os gregos gostavam de se reunir, ali, para discutir a vida pública da polis e fazer valer a voz do povo. Verdadeiras ágoras, em nossa época, são as redes sociais da internet, essas praças públicas planetárias e globalizadas com as quais os antigos gregos jamais poderiam sonhar.

O PECADO CAPITAL DA DISTRAÇÃO. A internet, que é a extensão mais poderosa do cérebro humano até hoje inventada, potencializou os sete pecados capitais e criou um oitavo: a distração elevada à enésima potência. As pessoas nunca estiveram tão distraídas como hoje em dia, alheadas das coisas essenciais da vida, esquecidas do que realmente importa para viver como animal racional destinado à eternidade. Fatores distrativos e razões para distrair-se é o que não falta atualmente, sobretudo na internet.

INTERNET E DEMOCRACIA. Mas a internet também tem suas virtudes: através de suas redes sociais, dispôs todas as vozes do debate político no mesmo plano, tornando mais difícil o controle que a mídia convencional — tevês, jornais, revistas — acaso pudesse fazer sobre a sociedade, seja sob o comando das forças nacionais que ambicionam o domínio do país (ou das forças internacionais que ambicionam o domínio do planeta). Os tradicionais donos do poder não previam quanto a internet pudesse ser fator de desestabilização do status quo reinante e, por isso, partiram para a ofensiva.

O PODER DAS BIG TECHS. Só há uma forma de calar as vozes dissonantes da internet, já batizadas pejorativamente de “mídia paralela”: controlar o trânsito dessas vozes incômodas, definindo quem pode ou não se fazer ouvir nessas ágoras eletrônicas.  Um controle que pode ser exercido tanto pelas próprias redes sociais (como têm feito as big techs Youtube, Facebook, Twitter etc.), como pelo poder judiciário. E isto já está acontecendo. A tecnologia da informação, que permitiu àquelas empresas tornar suas ágoras virtuais absolutamente necessárias para o debate público, é a mesma que permitirá, com poucos cliques de mouse, o silenciamento das vozes tidas como inconvenientes, acusadas de disseminadoras de “discurso de ódio” (que o politicamente correto define como uso da linguagem destinado a incitar violência contra minorias frágeis). 

TOTALITARISMO SOFT. Se os embates da “mídia paralela” (da esquerda com a direita) não fossem “cancelados”, o mundo poderia ter em breve algo semelhante ao que os cientistas políticos chamam de “democracia participativa”, na qual os cidadãos comuns conseguiriam influir de forma eficaz no governo de sua cidade ou nação. Mas a expectativa mais razoável é a contrária, ou seja, continuará mandando quem tem mandado nas últimas décadas: as ideologias progressistas e anticristãs (defensoras do aborto, do casamento gay, da histeria ambientalista), que querem tudo menos alta dialética, e são subvencionadas pelo poder financeiro internacional. Isto tem um nome: totalitarismo. No mundo ocidental, será inicialmente um totalitarismo soft, diferente do que é praticado atualmente na China. Mas há sérias chances de endurecer com o tempo, tornando a liberdade individual mais uma peça de museu, impiedosamente atirada aos monturos da História.