[A editora Bibliotheca Homo Legens lança a versão espanhola do romance El último Papa, do escritor americano Malachi Martin, ex-jesuíta. Lembra alguns livros consagrados, já clássicos, como 1984, de George Orwell e Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, embora a obra de Martin mergulhe de forma mais profunda no assunto, em vez de permanecer no mundano e na ordem material dos fatos. Este é um daqueles livros esquecidos, que parecia condenado ao ostracismo, e que a editora espanhola conseguiu recuperar, trazendo de volta às livrarias].

Estamos em 1963, ano em que Satanás é entronizado na Capela Paulina do Vaticano, numa terrível cerimônia secreta da qual participam vários cardeais e bispos. Trinta anos depois, uma conspiração de eclesiásticos, políticos e empresários, unidos por sua filiação à Maçonaria, seu delírio globalista e sua submissão ao diabo, tenta implantar um governo mundial, tentando fazer com que a Igreja Católica abandone seu papel de Esposa de Cristo para servir ao poder global.

Prestes a atingir seu objetivo, os membros dessa trama lutam para superar seu último obstáculo: “o Papa eslavo”, um homem profundamente espiritual que resiste, na cátedra de São Pedro, às aspirações dos conspiradores. Acossado dentro da própria estrutura do Vaticano, e pressionado por seus inimigos a renunciar, o Papa confia em um jovem padre americano para jogar a partida definitiva na guerra contra o mal.

É um enredo emocionante e muito bem tecido, com pontos de ancoragem em acontecimentos históricos reais, que acrescentam mais interesse e grande verossimilhança à história narrada. Escrito por um conhecedor dos meandros do Vaticano, o romance mostra o descontentamento da Igreja e de sua hierarquia pelas consequências do Concílio Vaticano II, e denuncia a corrupção que existe na Cúria de São Pedro, onde Católicos fervorosos convivem com outros que se dedicam a destruir a Igreja Católica por dentro.

O romance de Malachi Martin é uma obra indispensável, e o autor acerta ao assinalar, sem hesitações, o que está em jogo hoje em dia. O texto é profético e revelador e, à medida que avançamos na leitura, veremos em que medida os acontecimentos narrado — fictícios ou não — correspondem à realidade atual. Nesse sentido, é difícil não comparar, nalgum momento da leitura, este romance ao Apocalipse de São João.

O romance não deixa de ser uma denúncia da situação vigente dentro das paredes do Vaticano, e uma advertência ao católico comum: em primeiro lugar, rezar mais pela salvação da Igreja e de seus membros; em segundo lugar, estar vigilante e não confundir lobos com cordeiros.

(Resenha publicada no site de informações católicas Infovaticana)