Às vezes nos sentimos como o profeta Elias, tal como o mostra a primeira leitura deste domingo. Queremos nos atirar ao chão e morrer, conscientes de nossos fracassos, quando parece que não estamos avançando no cumprimento da vontade de Deus para a nossa vida.

Podemos sentir a tentação do desespero, como o profeta durante sua caminhada pelo deserto; ou a de “murmurar” contra Deus, como os israelitas durante seus quarenta anos no deserto (v. Ex 16, 2,7,8; 1Co 10,10).

No Evangelho deste domingo, a mesma palavra é usada — “murmurar” — para descrever como a multidão mostra a mesma dureza de coração que Israel manifestou no deserto.

Jesus lhes diz que as profecias se cumprem Nele; que o próprio Deus é quem lhes está ensinando, mas eles não acreditam. Percebem unicamente a sua carne. Só veem que Ele é o “filho de José e Maria”.

Contudo, se somos crentes, se O buscarmos em nossas aflições, Ele nos libertará de nossos medos, enquanto cantamos no salmo deste domingo.

No altar, em cada Eucaristia, o anjo do Senhor — o próprio Senhor (v. Ex 3, 1-2) — toca-nos como tocou em Elias. Ele nos manda tomar e comer Seu corpo, que foi dado pela vida do mundo (Mt 26, 26; Jo 6, 51).

Deus nos permite desfrutar deste dom celestial (v. Heb. 6, 4-5), mas através dele manda que nos levantemos e continuemos no caminho que começou no batismo, em direção à montanha de Deus, até o reino dos Céus.

Ele nos dará o pão da vida, a força e a graça de que precisamos, assim como alimentou nossos antepassados espirituais no descampado, ou a Elias no deserto. Portanto, não causemos tristeza ao Espírito Santo, como diz São Paulo na epístola de hoje, também referindo-se à experiência de Israel no deserto (v. Is 63, 10).

Digamos a Deus, como Elias: “Tome a minha vida”. Mas não como alguém que quer morrer, mas como alguém que quer se entregar em sacrifício, amando-O como Ele nos amou, tanto na cruz como na Eucaristia.

https://stpaulcenter.com/take-and-eat-scott-hahn-reflects-on-the-nineteenth-sunday-in-ordinary-time/