[A seguir, o comentário do padre espanhol Santiago Martín sobre o recente “motu proprio” Traditionis custodes, publicado pelo atual Pontífice no último dia 16 de julho, e que tem por finalidade impedir o progresso do movimento em favor da Missa antiga, que cresce no mundo todo, em especial nos EUA. Parece que o padre espanhol não se inclui entre os grandes entusiastas do rito tradicional, mas, ainda assim, demonstra forte preocupação com esse documento papal].

“A notícia mais relevante desta semana foi a revogação, pelo Papa Francisco, do “motu próprio” Sumorum Pontificum de Bento XVI, que havia dado liberdade para a utilização do missal aprovado no Concílio de Trento e revisto por João XXIII.

A utilização deste missal era considerada uma forma extraordinária do rito romano e os bispos foram autorizados a permitir a sua utilização, em certas paróquias, para os fiéis que o solicitarem. Tudo isto foi abolido e deixará de haver uma forma extraordinária do rito romano. Só será permitida a sua utilização poraqueles que já o estavam fazendo, com tal permissão sendo revista caso a caso.

Não serão criadas mais paróquias onde o Missal Tridentino possa ser utilizado. Os sacerdotes que forem ordenados a partir de agora já não poderão celebrar a Missa usando esse missal, mesmo em privado, sem autorização formal do bispo, que deve consultar Roma.

A justificação dada pelo Papa, numa carta que acompanha o “motu próprio” Traditionis custodes, é que, embora os seus antecessores, quando deram liberdade à Missa Tridentina, o fizessem para favorecer a unidade da Igreja e nela voltar a inserir aqueles que se tinham juntado ao cisma de Lefebvre, tem servido ao propósito oposto: os que seguem a forma extraordinária revelam a sua rejeição do Concílio Vaticano II, por eles  acusado de ter traído a Tradição, e se consideram a verdadeira Igreja.

A reação ao novo “motu proprio” tem sido muito forte entre aqueles que se identificam com a celebração tridentina da Santa Missa. Monsenhor Schneider avisou, há alguns dias, que se isso acontecesse, muitos leigos e padres se juntariam aos lefebvrianos.

Outros, que não questionam a firmeza com que foram tratados aqueles que usam a Missa Tridentina para rejeitar o Concílio Vaticano II, interrogam-se porque é que não se toma a mesma atitude com aqueles que praticam abusos litúrgicos muito graves — tais como abençoar casais homossexuais ou dar comunhão aos protestantes — e estão promovendo a criação de uma nova Igreja, que para eles é a verdadeira Igreja, em ruptura não só com a Tradição, mas com a Palavra de Deus. Não é a passividade perante estes últimos que provoca a reação daqueles outros e o seu anseio pelo passado?

O Papa disse que esta decisão visa promover a unidade na Igreja. Rezemos para que o contrário não aconteça.”