A ofensiva contra alguns dos pontos essenciais da moral católica está se desencadeando com toda a força e esta semana deu provas disso. A ONU, através de uma das suas comissões, censura o Vaticano por não ter feito o suficiente para impedir a pederastia, mas o que realmente quer é que a Igreja aceite a ideologia do género.

O Parlamento Europeu aprovou, como recomendação, que o aborto deve ser considerado um “direito humano” e que a objecção de consciência, para médicos e hospitais, deve desaparecer.

Enquanto isto, na Itália, está em debate uma lei — chamada “Lei Zan” — que pune severamente quem nega que o sexo é uma questão cultural e afirma que tem uma base biológica, além de forçar o ensino da ideologia do género nas escolas; uma lei contra a qual o Vaticano protestou, dizendo que viola os Acordos entre a Santa Sé e o Estado italiano, tanto no que diz respeito às escolas como no ataque à liberdade de expressão dos católicos.

Destas três coisas, a que fez mais barulho foi a intervenção do Vaticano junto do Estado italiano, através de uma nota verbal apresentada pelo número três da Secretaria de Estado.

A Santa Sé foi acusada de ingerência na política italiana, e até o presidente do Conselho de Ministros, Draghi, rejeitou o aviso do Vaticano, dizendo que a Itália é um país laico e que o seu Parlamento é soberano. Os ataques da esquerda ao Vaticano foram ferozes e o Papa não foi poupado, pois é impossível acreditar que um ato de tal relevância, como o que ocorreu, pudesse ter tido lugar sem o apoio explícito do Santo Padre.

Contudo, não há razão para tais ataques, uma vez que a Santa Sé se limitou a avisar que, se a Lei Zan for para a frente, os acordos internacionais serão violados. Os acordos entre países devem ser respeitados ou anulados, mas o que não se pode fazer com eles é violá-los. A Itália tem o direito de anular os acordos com o Vaticano, mas não de os violar, tal como tem o direito de romper os acordos que tem com outras nações (como, por exemplo, a Inglaterra tem feito com a União Europeia).

O protesto, que é de fato um aviso, feito pelo Vaticano à Itália é sem precedentes na sua história e mostra a seriedade da situação. Se um padre pode ir para a prisão por dizer, num confessionário ou numa homilia, que, segundo a Bíblia, a prática da homossexualidade é um pecado; ou, se se forçar o ensino da ideologia do género nas escolas católicas e, como acontece no Canadá, obrigá-las a ensinar crianças pequenas a masturbarem-se, terá sido ultrapassada uma barreira perante a qual a Igreja não pode permanecer indiferente, especialmente quando está em vigor um tratado que garante tanto a independência das escolas católicas, quanto a liberdade de expressão dos próprios católicos.

A Santa Sé teve a coragem de fazer ouvir a sua voz em defesa da liberdade de consciência e de expressão. A prova de que a ditadura mundial está inexoravelmente avançando é que algo tão elementar como isto, ou tão básico como reivindicar o direito à objecção de consciência ao aborto, é a causa de escândalo.

Mais uma vez, a Igreja é a última fronteira que protege a liberdade. Apesar dos pecados dos seus membros, ela o tem feito ao longo da sua história e continua a fazê-lo. Tal como os mártires ganharam para o mundo o direito à liberdade de consciência, também agora os novos mártires — as vítimas dos ataques desta feroz ideologia de género — estão defendendo o último reduto de liberdade que resta.

À diferença dos tiranos de ontem, os de hoje não usam leões para matar as suas vítimas, mas entregam-nos aos meios de comunicação para serem dilacerados e devorados. O resultado é o mesmo. É por isso que devemos agradecer à Igreja, e especialmente ao Papa, pelo serviço que prestou a toda a humanidade, apoiando-o fortemente, em especial com as nossas orações.