Atribui-se ao político Maluf a infeliz frase “Estupra, mas não mata”. Não se sabe se esse público cidadão, nalgum remoto lugar do passado brasileiro, teve a intenção de dizer que, entre os dois verbos de ação, só o primeiro é lícito. É provável que não — só Deus sabe —, mas a frase possui tal conotação ambígua (afinal, a ação de estuprar é criminal e moralmente menos grave que matar) que lhe permite ser usada de forma maliciosa, e por isto fez tanto sucesso.

Há casos, porém, em que a maldade humana não permite nenhuma piada, catalogando-se melhor na prateleira dos filmes de terror que das comédias de costumes. Exemplo é a alteração que médicos abortistas admitiram fazer, nos últimos tempos, nos procedimentos cirúrgicos de “interrupção de gravidez” (expressão que é uma joia rara da linguagem politicamente correta).

É provável que agora mesmo, nalguns lugares do presente, quando as técnicas de cirurgia de aborto se sofisticam para que os órgãos do bebê sejam mais bem aproveitados nas pesquisas de laboratório, alguém certamente esteja seguindo o seguinte e precioso conselho: “Mata, mas com cuidado…”.

A brancura asséptica e silenciosa das salas de cirurgia também pode ser um perfeito cenário para filmes de terror.