[A teologia moral católica está dividida em relação à possibilidade de considerar moralmente lícito o uso de vacinas que utilizaram linhas celulares de bebês abortados. A Congregação para a Doutrina da Fé publicou, em dezembro de 2020, um documento magisterial (“Nota sobre a moralidade do uso de algumas vacinas anticovid-19”), afirmando que é remota, da parte de quem utiliza tais vacinas, a cooperação com o mal do aborto. O historiador italiano Roberto De Mattei, crítico do atual pontificado, publicou em abril de 2021 um pequeno livro em apoio ao documento da Santa Sé: Sobre a legalidade moral da vacinação (Edizioni Fiducia). O filósofo austríaco Josef Seifert, no artigo “A licitude moral das vacinas derivadas de abortos” (v. aqui), procura mostrar como a argumentação de De Mattei é irrefutável. Mas há quem discorde. No dia 8 de março de 2021, quase 100 mulheres — entre médicas, religiosas, políticas e ativistas pró-vida de todo o mundo — publicaram um manifesto (intitulado A voz das mulheres em defesa dos bebês não nascidos e em oposição às vacinas contaminadas pelo aborto) pedindo “a todas as pessoas de boa vontade para deixarem de justificar moralmente o uso de vacinas COVID-19 contaminadas pelo aborto”. A esse movimento não interessa, portanto, a “lógica” da isenção de culpa da parte dos tomam vacinas produzidas a partir de linhas celulares de bebês abortados. A esta “lógica” antepõe o “sentimento” de responsabilidade, alegando que a aceitação de tais vacinas concorreria para alimentar a cultura da morte do aborto, sempre em expansão, envolvendo cada vez mais experiências de laboratório com partes de bebês eliminados. É um debate que continua, como testemunha o recente artigo da jornalista italiana Luisella Scrosati].

Aos cem anos, no próximo dia 2 de novembro, a Dra. Wanda Półtawska, amiga e confidente de João Paulo II, milagrosamente curada pelo Padre Pio a pedido do então jovem sacerdote de Cracóvia, internada no campo de concentração de Ravensbrück, onde era cobaia para experimentos médicos sobre mutilação cirúrgica de membros, ela é a primeira signatária de um apelo de tantas mulheres, ativistas pró-vida, que exortam os cristãos ao redor do mundo e os homens de boa consciência a resistir às vacinas contaminadas pelo aborto.

The Voice of Women in Defense of Unborn Babies and in Opposition to Abortion-tainted Vaccines é o título do extraordinário apelo pelo despertar das consciências entorpecidas nestes longos meses de pandemia e propaganda unilateral de vacinação. Wanda Półtawska, que foi docente do Pontifício Instituto João Paulo II, na Universidade Lateranense, e membro do Pontifício Instituto para a Família e da Pontifícia Academia para a Vida, não aceita em silêncio esta nova forma de colaboração com a cultura da morte: “Não seremos cúmplices do moderno massacre dos Santos Inocentes e por isso nos recusamos a aceitar qualquer vacina que use células derivadas de fetos humanos abortados.” Junto com ela, outro nome bem conhecido, o de Abby Johnson, ex-diretora  de uma clínica da Planned Parenthood, que renunciou em 2009 e agora é uma proeminente ativista pró-vida.

Com cerca de 40-50 milhões de abortos por ano (2,5 bilhões desde que o aborto foi legalizado), já se tornou uma prática sanitária comum: “Como não manter esse fato fixado em nossas mentes, enquanto refletimos minuciosamente sobre a moralidade das vacinas produzidas a partir de células derivadas do aborto fetos humanos? […] A maneira de matá-los ultrapassa qualquer imaginação “: desmembrados no ventre de suas mães, esmagados no crânio ou envenenados com solução salina. E depois os pedaços de seus corpos deixados nalgum lugar do hospital “sem ninguém que por eles chore ou lamente”. Esta é a versão do século 20 daquelas crianças doadas vivas pelos israelitas para serem queimadas na Geena em homenagem a Moloch.

Mas para as crianças “selecionadas” para serem fornecedoras de tecidos, o destino é – parece impossível pensar – ainda mais trágico. De acordo com as contribuições fundamentais de Debra Vinnedge (veja aqui), fundadora da associação Children of God for Life (Filhos de Deus pela Vida), que primeiro alertou a Pontifícia Academia para a Vida em 2005 para o problema das linhagens celulares de fetos abortados na produção de vacinas, o manifesto recorda que médicos abortistas admitiram que o procedimento desses abortos é alterado, a fim de preservar intactas e utilizáveis ​​as partes do corpo da criança que possa interessar aos pesquisadores. Esses sacrifícios, mais do que aos praticados no mencionado Geena bíblico, se assemelham àqueles praticados pelos índios astecas, que extraíam do peito das vítimas o coração palpitante para oferecê-lo à “divindade”: a criança, extraída viva do útero “, sofria dores lancinantes, enquanto o abortista retirava-lhe o rim muito rapidamente, sem qualquer anestesia, para que esse órgão pudesse ser enviado ainda fresco, de um dia para o outro, ao pesquisador cúmplice do crime”.

Aos que objetam que, no entanto, o acontecimento macabro já pertence a um passado distante e que o uso de vacinas feitas com essa técnica constitua uma cooperação remota com o fato, os signatários do apelo opõem que “o mal de usar linhagens celulares de fetos abortados inclui não apenas o assassinato original, mas também a contínua comercialização do corpo da criança, assim como também a recusa em enterrar seus restos mortais profanados”. Tampouco se deve pensar que essa modalidade de pesquisa ficou confinada ao passado e tenha sido, finalmente, abandonada. Basta pensar na linha celular mais recente (Walvax-2), que data de apenas 6 anos, feita do pulmão de um bebê de três meses (veja aqui). Esta linha celular também se destina à produção de vacinas.

A exploração de crianças assassinadas no ventre de suas mães não se limita apenas às vacinas. Graças à cuidadosa vigilância de Stacy Trasancos, pesquisador químico da DuPont e chefe de pesquisa do Children of God for Life, sabemos que o uso de corpos de bebês abortados na fabricação de vacinas é apenas um começo (veja aqui). Outras linhas de pesquisa já estão em andamento, sem que quase ninguém oponha a resistência necessária (veja aqui): “camundongos humanizados” com pele humana (mas também com timo, baço e fígado), extraídos de crianças entre a décima oitava e a vigésima semana de gestação, visando o estudo do comportamento do sistema imunológico quando a pele está infectada com patógenos (estudo publicado em 2 de setembro de 2020). Há ainda outro estudo (de 22 de julho de 2020) sobre os efeitos nocivos dos éteres de polibromodifenilo (PBDEs), para o qual 249 mulheres foram recrutadas para um aborto de segundo ou terceiro trimestre, que deram seu consentimento para a “doação” do sangue, da placenta e do fígado do bebê abortado. Ou a pesquisa (de 17 de julho de 2020) sobre o desenvolvimento da imunidade em recém-nascidos, que exigiu 15 fetos abortados no segundo trimestre.

Quando, na década de 1970, a Merck [empresa farmacêutica alemã] lançou no mercado a vacina contra rubéola – para a qual foi exigida cerca de uma centena de abortos -, a estratégia proposta pelos pastores da Igreja para expressar sua dissidência, mas ao mesmo tempo admitindo o uso dessas vacinas, foi um fracasso: essa vacina ainda está em uso hoje. “A condescendência generalizada de vacinas contaminadas pelo aborto, principalmente da parte de cristãos, só pôde contribuir para a cultura da morte”, que agora considera o uso de fetos abortados uma normalidade para as pesquisas. “É tempo do clero e dos leigos enfrentarem com coragem este horror e defenderem com a “máxima determinação” o direito à vida dos mais vulneráveis. Esta ramificação maligna do aborto deve parar!”

A linha assumida pelos bispos e pelo Vaticano, que chegou a recomendar a vacinação como um ato de caridade para com o próximo, “se baseia em uma avaliação incompleta da ciência da vacinação e da imunologia”; os peticionários do Apelo, portanto, imploram à hierarquia eclesiástica que reavalie sua posição, inclusive à luz das sérias incertezas sobre a eficácia e segurança efetiva dessas vacinas e de seu caráter experimental.

Entre os signatários deste heróico grito em defesa da vida está a irmã Deirdre Byrne, que em 2020 discursou na Convenção Nacional Republicana, fortemente apoiada pelo ex-presidente Trump. Também ela, a freira das três divisas – além de freira, ela também é médica-cirurgiã e ex-coronela do exército dos Estados Unidos – clama à mobilização e à batalha, sem violências, com a consciência de que “Moloch nunca está saciado”.

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