Respondendo a uma pergunta que chegou à Santa Sé — “A Igreja dispõe do poder de abençoar as uniões de pessoas do mesmo sexo?” —, no dia 22 de fevereiro de 2021 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou um documento que, em síntese, dizia mais ou menos o seguinte: bênçãos, que são sacramentais, podem ser dadas a pessoas com inclinações homossexuais, desde que manifestem a vontade de viver em fidelidade aos desígnios revelados por Deus, mas não são lícitas quando tendem a reconhecer as uniões ditas homoeróticas.

Se há algo que Deus respeita, no ser humano, é a liberdade para o pecado ou a graça. Se Deus, que é Deus, respeita a escolha do pecador, como não o faríamos nós, pobres e miseráveis mortais? Nem seria necessária a “lei da homofobia” para obrigar um cristão a tratar com respeito os que optam por praticar sexo de forma diferente da que permite a Igreja e a revelação divina.

Fruto dessa liberdade para as escolhas é o projeto cismático de certos padres e bispos alemães que, entre outras coisas, inclui abençoar casais homossexuais, dar comunhão a protestantes e transformar mulheres em sacerdotisas e diaconisas.

Estavam previstas duas manifestações públicas para este mês de maio: no dia 10 de maio, abençoar casais homossexuais (coisa que já aconteceu); e, no próximo dia 15, dar comunhão a protestantes. Tudo isto — provocação das provocações — no mês de Nossa Senhora, no mês de comemoração das aparições de Fátima, cujo “terceiro segredo” anunciava justamente o martírio da Igreja, que esses clérigos alemães já estão praticando.

Independente do que farão os responsáveis pela manutenção da ordem eclesial, algo já ocorreu com os padres que, na última segunda-feira, abençoaram aqueles casais (incluindo os bispos que os apoiaram ou toleraram o ato). Mesmo que o Papa não os puna com um decreto público, seu ato de desobediência, a um só tempo cismático e herético, implica a pena canônica automática da excomunhão “latae sententiae” (que ocorre no momento mesmo em que a falta é cometida), tornando-os incapazes de ministrar os sacramentos católicos.

Um abaixo-assinado, apoiado pelo Cardeal Zen e pelo Bispo Schneider, foi enviado ao Papa, pedindo que interviesse diretamente para impedir o acontecimento. Se houve essa tentativa (e parece que houve), os bispos não conseguiram conter os padres rebeldes, que são mais agentes da causa LGBT do que membros da Igreja militante.

Esperemos que venham as devidas sanções canônicas, embora pareça mais provável que, em vez delas, tenhamos novamente “misericórdia”, nobre palavra usada muitas vezes na Igreja, atualmente, para significar vista grossa.