O cardeal Robert Sarah, em seu recém lançado livrinho de 80 páginas, Vorrei aiutare gli altri a vedere con occhi nuovi (“Gostaria de ajudar os outros a ver com olhos novos”), editado pela Marcianum Press, de Veneza, está compreensivelmente preocupado com a dificuldade da Igreja Católica de desempenhar, na Europa de hoje, o papel que sempre foi o seu no passado, e que, segundo o prelado, ainda lhe caberia.

Poderia, em apoio às suas ideias, mencionar vários teólogos e filósofos conservadores. Surpreendentemente, recorre a um autor que nem católico é: Gianni Vattimo, o famoso filósofo italiano do “pensamento débil”, homossexual, niilista.

Transcreve um comentário feito pelo filósofo em entrevista à Rádio Vaticana, em 16 de setembro de 2010. Palavras do filósofo:

“Vocês, católicos, resistiram sem medo, durante quase dois séculos, o assédio da modernidade. Mas vocês desistiram um pouco antes que o mundo lhes desse razão. Se vocês aguentassem mais um pouco, teriam descoberto que os ‘atualizados’, que os profetas do futuro pós-moderno eram vocês mesmos, os conservadores. É uma pena.”

“Atualizados” é uma tradução aproximada de aggiornati, referência ao aggiornamento, conceito-chave do Concílio Vaticano II, segundo o qual a Igreja devia adaptar-se ao mundo moderno.

Continua Vattimo: “Dou-lhes um conselho laico, de pessoa não religiosa: se realmente vocês ainda desejam mudar, mudem restaurando, não reformando. É voltando atrás, em direção a uma tradição que todo mundo lhes inveja, e que vocês jogaram fora, que vocês vão ficar mais em sintonia com o mundo de hoje; só assim vocês poderão sair da insignificância em que se meteram, “atualizando-se” (aggiornandovi). Que resultados vocês obtiveram com isso? Quem vocês converteram, desde que procuraram percorrer esse caminho equivocado?”