A principal tarefa da autoridade política, além de estar consciente de seus deveres em relação à religião, é a de não colocar todas as religiões no mesmo nível, mas avaliá-las à luz da própria razão política.

Não basta abrir a política ao âmbito da religião em geral, uma vez que existem religiões que se opõem às exigências da razão política — razão pela qual a autoridade política deveria se deixar guiar. A autoridade política deve, portanto, colocar-se o problema da religião verdadeira.

A este respeito, a religião católica tem uma pretensão toda sua. No famoso discurso ao Parlamento Federal em Berlim, em 2011, Bento XVI disse que a religião católica nunca pretendeu transformar o Evangelho em lei civil, nem jamais quis dar à revelação um conteúdo diretamente político ou jurídico. Aliás, sempre se fundamentou no direito natural, pedindo aos Estados que respeitem a lei natural, que também resulta da razão.

Bento XVI quis dizer que a política não deve se relacionar com uma religião fundamentalista, que faz da revelação uma lei civil, porque seria a morte da política (transformada em religião). Não deve nem mesmo confiar-se a uma religião irracional, que não estabelece qualquer ligação entre si e a razão política. Deve confiar — por motivos de razão política e não de fé — numa religião que garanta a autonomia da política baseada na lei natural; portanto, numa ligação direta com a moral e indireta com a religião verdadeira.

De fato, se olharmos para a história, a Igreja sempre manteve o poder temporal e o poder espiritual distintos um do outro, embora nas várias formas que essa distinção assumiu nas diferentes épocas. Mas nunca deixou de ensinar — e o faz até hoje — que o poder político acaba por enlouquecer-se se corta relações com o poder religioso, portanto com a religião católica e a Igreja, às quais deve recorrer em momentos de confusão para recuperar o sentido de si mesmo, ou seja, a sua própria legitimidade.

https://www.vanthuanobservatory.org/ita/potere-politico-e-potere-spirituale-2/

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