Para ouvir a homilia do Padre Paulo Ricardo, “O que pode nos fazer realmente felizes?”, clicar AQUI. Não é nas riquezas, não é nos prazeres, nem tampouco nas “aparentes alegrias” que este mundo pode nos oferecer, que se encontra a verdadeira fonte de nossa realização. “Ai de nós”, na verdade, se achamos ser possível comprar das criaturas o que só Deus, de graça, pode nos dar. Assista a esta meditação do Padre Paulo Ricardo sobre o Evangelho das bem-aventuranças e aprenda com Nosso Senhor onde está e onde não está a nossa felicidade.

  

A POBREZA DOS RICOS (Meditação de Scott Hahnn)

As bênçãos e desgraças que ouvimos no evangelho de hoje significam a perfeição de toda a sabedoria do Antigo Testamento.

Essa sabedoria é resumida, com maravilhosa simetria, na Primeira Leitura e no Salmo de hoje: cada qual declara que os justos — aqueles que esperam no Senhor e se deleitam em Sua Lei — prosperarão como árvore plantada perto de águas vivas. Os ímpios, que colocam sua “confiança nos seres humanos”, são condenados a murchar e morrer.

Jesus está dizendo a mesma coisa no Evangelho. Os ricos e pobres são, para Ele, mais do que membros de classes sociais. Seu estado material simboliza seu estado espiritual.

Os ricos são o “insolente” do salmo de hoje, gabando-se de sua auto-suficiência, do vigor de sua carne, como diz Jeremias na primeira leitura. Os pobres são os humildes, que depositam toda a sua esperança e confiança no Senhor.

Já vimos as imagens dramáticas dessa inversão de termos no “Magnificat” de Maria. Lá, também, os ricos são derrubados de seus tronos, enquanto os famintos são saciados e os humildes exaltados (Lucas 1, 45-55 e16, 19-31).

Esse é o mundo surpreendente do Evangelho de hoje: na pobreza, ganhamos um tesouro espiritual inimaginável; sofrendo, e até mesmo morrendo “por causa do Filho do Homem”, encontramos a vida eterna.

As promessas do Antigo Testamento eram promessas de poder e prosperidade — para o aqui e agora. A promessa da Nova Aliança é alegria e verdadeira liberdade, mesmo em meio à miséria e labutas desta vida. Mas não é só isso. Como Paulo diz na epístola de hoje, seremos o mais dignos de compaixão se nossa esperança for “somente para esta vida”.

As bênçãos de Deus significam que exultaremos com a ação de graças dos cativos libertos do exílio (Salmos 126, 1-2), festejaremos na mesa celestial do Senhor (Salmos 107, 3–9), “saltaremos de alegria” como João Batista saltou no ventre de sua mãe (Lucas 6, 23; 1, 41, 44) e ressuscitaremos com Cristo, “primícias dos que adormeceram”.

https://stpaulcenter.com/rich-in-poverty-scott-hahn-reflects-on-the-sixth-sunday-in-ordinary-time/

 

PRIMEIRA LEITURA DA MISSA (Jeremias 17, 5-8)

O deserto e o jardim

Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar na secura do ermo, em região salobra e desabitada.

Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca de umidade; por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos”.

 

SALMO 1

A palha seca e a árvore frondosa

(Antífona): É feliz quem a Deus se confia!

— Feliz é todo aquele que não anda/ conforme os conselhos dos perversos;/ que não entra no caminho dos malvados,/ nem junto aos zombadores vai sentar-se;/ mas encontra seu prazer na lei de Deus/ e a medita, dia e noite, sem cessar.

— Eis que ele é semelhante a uma árvore,/ que à beira da torrente está plantada;/ ela sempre dá seus frutos a seu tempo,/ e jamais as suas folhas vão murchar./ Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

— Mas bem outra é a sorte dos perversos./ Ao contrário, são iguais à palha seca/ espalhada e dispersada pelo vento./ Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,/ mas a estrada dos malvados leva à morte.

 

SEGUNDA LEITURA DA MISSA (1Coríntios  15,12.16-20)

A vida plena da ressurreição

Irmãos: Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dizer entre vós que não há ressurreição dos mortos? Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados. Então, também os que morreram em Cristo pereceram.

Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos — de todos os homens — os mais dignos de compaixão. Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram.

 

EVANGELHO (São Lucas 6, 17-20-26)

Os dois caminhos

Naquele tempo, Jesus desceu da montanha com os discípulos e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judeia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse:

“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus!

Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados!

Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque havereis de rir!

Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos insultarem e amaldiçoarem o vosso nome, por causa do Filho do Homem! Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, pois será grande a vossa recompensa no céu; porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas.

Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação!

Ai de vós, que agora tendes fartura, porque passareis fome!

Ai de vós, que agora rides, porque tereis luto e lágrimas!

Ai de vós quando todos vos elogiam! Era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas”.

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